Relato – 1ª Rota do chá em Registro

No começo do mês passado, realizei um dos meus grandes sonhos: visitar a cidade de Registro e suas fazendas de chá, participando da 1ª Rota do chá em Registro nos dias 7 e 8 de outubro. O evento foi organizado pela Escola de Chá Embahú com apoio da Infusorina, Chás Amaya, Obaatian – o chá da vovó e Prefeitura da Cidade de Registro.

Foi uma experiência única, que me permitiu conhecer um pouco mais da história do chá no Brasil e ver de perto o processo de fabricação do chá, as plantações, o clima do local, as pessoas envolvidas, ouvir suas histórias, e principalmente, sentir o carinho delas pela bebida.

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Ingresso da 1ª Rota do Chá em Registro

 

Tudo começou com um e-mail da Yuri, da Escola de Chá Embahú, falando que nos dias 7 e 8 de novembro seria realizado a Primeira Rota do Chá em Registro. Mal recebi a notícia  eu já marquei as datas no calendário e entrei em contato reservando a minha vaga imediatamente. Passei as semanas seguintes ansiando pelo passeio.

Na Rota do chá, visitamos dois produtores locais de chá, a família Amaya, do Chás Amaya, e a família Shimada, do Obaatian – o chá da vovó, uma em cada dia.

Dia 7

O primeiro dia começou com a cerimônia do chá utilizando o chá verde em pó produzido pela própria família que nos recebia e ao mesmo tempo era homenageada na cerimônia. Logo após a cerimônia, a Yuri Hayashi nos explicou de forma breve sobre a história do chá no Brasil, fazendo um panorama geral, e depois contando detalhes de como o cultivo de chá chegou, se espalhou e persistiu até os dias de hoje em Registro. Ouvir essa explicação, mesmo de um ponto de vista mais objetivo, foi emocionante por estarmos ali, na casa daquela família que conseguiu preservar até hoje na teicultura e processamento do chá – e porque minha mãe já morou em Registro.

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Cerimônia de chá realizada pela Erika Kobayashi. Foto: Cláudio Brisighello
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Yuri Hayashi contando um pouco da História do chá no Brasil. Foto: Cláudio Brisighello

Depois, conhecemos a fábrica, guiados pelo Sr. Riogo Amaya, e vimos todo o processamento do chá sendo feito ali. O cheiro das folhas inundava a fábrica inteira. As folhas, que na entrada estavam murchadas mas ainda bem verdes, conforme iam sendo processadas e passando pelas esteiras, iam ficando mais escuras e em pedaços menores.Foi interessante também saber que as fibras do chá resultantes desse processamento são utilizadas para compostagem.

Almoçamos no centro da cidade e voltamos à propriedade da família Amaya, agora para visitar sua plantação. Foi incrível ver plantas do chá por todos os lados, naquela cidade que tanto sonhei em visitar um dia. Eu já havia visto a planta antes, mas como sempre imaginei que veria essa planta pela primeira vez em Registro, a vista das plantas do chá cobrindo todos aqueles canteiros era deslumbrante. Após a visita, ainda fomos surpreendidos com um chá da tarde preparado pela família – com os chás Amaya – e dois lindos presentes: uma caneca personalizada da marca Amaya e uma mudinha de Camellia sinensis.

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Plantação do Chás Amaya e máquina de colheita ao centro.
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Caneca personalizada e muda da planta do chá, presentes da família Amaya.

No caminho de volta para o centro da cidade, paramos na plantação preservada das primeiras mudas de chá da variedade assamica plantadas em Registro por Torazo Okamoto, pioneiro da teicultura na cidade. Segundo a explicação da Yuri e uma entrevista¹ que o filho do Sr. Torazo deu em 1999, elas foram trazidas na volta de uma viagem que a família fez ao Japão. O navio parou no Ceilão (atual Sri Lanka), onde o sr. Torazo conseguiu algumas sementes da planta da variedade assamica e enfiou-as dentro de pães. Quando chegaram ao porto de Santos, as sementes já estavam brotando. Essas sementes que brotaram nos pães dentro do navio, agora estão nesse espaço preservado da foto abaixo.

Canteiro preservado com as primeiras mudas de Camellia sinensis var. assamica. Foto: Caio Basilio
Canteiro preservado com as primeiras mudas de Camellia sinensis var. assamica, trazidas por Torazo Okamoto. Foto: Caio Basilio

Após a visita a esse local de grande importância à história do chá no Brasil, fomos surpreendidos pela equipe da Rota do chá com algo que não constava na programação: uma visita à casa do Sr. Tomio Makiuchi, entusiasta do chá. O Sr. Tomio nos mostrou sua micro-fábrica de chá, montada por ele mesmo no fundo de sua casa. Pudemos ver as máquinas que processam até 3kg de chá funcionando, com as explicações do próprio Sr. Tomio. O primeiro dia da rota foi encerrado com uma última surpresa feliz: ganhamos mais uma mudinha de chá de presente, agora do Sr. Tomio.

Sr. Tomio e, ao fundo, as máquinas de processamento de chá. Foto: Caio Basilio
Sr. Tomio e, ao fundo, as máquinas de processamento de chá. Foto: Caio Basilio

 

As mudas hoje: a verde clara é presente do Sr. Tomio e a verde escura, da família Amaya.
As mudas hoje: a verde clara é presente do Sr. Tomio e a verde escura, da família Amaya.

Dia 8

No segundo dia, fomos à a propriedade da família Shimada, da marca Obaatian – o chá da vovó. Esse chá leva esse nome em homenagem à Sra. Ume Shimada, a vovó da família – Obaatian é a transcrição da palavra vovó em japonês – que cresceu em meio às plantações de chá e quis que as terras de sua família continuassem a produzir chá de alguma maneira. Fomos recebidos com doces e o delicioso chá que é produzido ali mesmo, ao mesmo tempo que ouvimos Teresinha, filha da Sra. Ume e mestre de chás da família, contar sobre a história da família e explicar o processo de produção do chá.

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Teresinha, mestre de chás da família. Foto: Leandro Yuki
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Sra. Ume Shimada, a vovó que dá nome ao chá. Foto: Leandro Yuki

Em seguida, visitamos a plantação onde o chá da vovó é cultivado, passando por um pomar de lichia para chegar até lá. Experimentamos também fazer a colheita com as mãos, com cestos nas costas e tudo, com a Terezinha nos explicando que folhas estavam boas para serem colhidas.

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Folhas de chá colhidas na fazenda Shimada. Foto: Leandro Yuki

Logo depois, conhecemos a pequena fábrica onde o chá é processado. Ali também vimos folhas verdes e frescas mudando de cor e forma, mas era possível perceber que era um processo bem diferente do que vimos no dia anterior, na fábrica do Chás Amaya.

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Participantes da 1ª Rota do chá em Registro aguardando para conhecer a sala onde é processado o chá da Obaatian. Foto: Leandro Yuki

A rota do chá terminou com um almoço maravilhoso preparado pela família Shimada e um sorteio de brindes da Infusorina e Obaatian – O Chá da Vovó.

 

Referências:

HAYASHI, Yuri. Relato: 1a. Rota do Chá em Registro. Disponível em: <http://escoladecha.blogspot.com.br/2016/10/relato-1a-rota-do-cha-em-registro.html> Acesso em 28 nov. 2016.

AOKI, Alessandro. LIMA, Maria das Graças de. Os japoneses e a teicultura no município de Registro: a paisagem como resultado de um processo migratório. Geografia (Londrina), Londrina, v. 20, n. 2, p. 129-150, maio/ago. 2011. Disponível em <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/geografia/article/viewFile/7827/10651> Acesso em 29 nov. 2016.

GONCALVES, Rogério Bessa. O sincretismo de culturas sob a ótica da arquitetura vernácula do imigrante japonês na cidade de Registro, São Paulo. An. mus. paul. [online]. 2008, vol.16, n.1, pp.11-46. ISSN 0101-4714. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0101-47142008000100002&gt; Acesso em 29 nov. 2016.

GONÇALVES, Rogério Bessa. A arquitetura dos imigrantes japoneses na cidade de Registro, estado de São Paulo. 2003. 234 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.

1 Cf. Rogério Bessa Gonçalves (2003, p. 188).

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4 comentários em “Relato – 1ª Rota do chá em Registro”

    1. O passeio foi muito bacana, recomendo. A sinalização de alguns locais não é tão boa, mas acho que é só perguntar para quem conhece.

      (Ederson, desculpe. Vi agora que o wordpress deu erro e uma versão de rascunho de algumas semanas atrás havia sido publicada. Já está atualizado para a versão correta).

  1. Oi, Ayumi!
    Primeiro de tudo, muito obrigada por ir conosco na rota e muito obrigada por um relato tão carinhoso e cheio de detalhes. Foi uma visita muito importante para todos nós e é com muita alegria que leio este acontecimento através dos teus olhos.
    Beijo enorme nosso!
    Yuri

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